sexta-feira, 26 de junho de 2020

Guia de Estudos 2020


Candidatos e candidatas, como vocês tradicionalmente tem visitado na seção do Blog, Guia de Estudos, estão todos os links direcionando para os Guias de Estudo de preparação à carreira diplomática entre 1996 e 2014. Depois de longo tempo sem novos exemplares, os aprovados na seleção do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) em 2019 lançaram nova versão com o título, A esperança equilibrista (ver imagem). Eu sugiro que todos que estejam se preparando para o CACD 2020 deem uma lida nesse arquivo. Estão colocadas as melhores e piores respostas dos aprovados, o que torna ainda mais importante sua leitura.

sábado, 6 de junho de 2020

Pensadores da Diplomacia Brasileira - Parte 10

Mário Gibson Barboza
Nos anos de 1970, o mundo passava por várias transformações. A descolonização dos países asiáticos e africanos fizeram com que o país repensasse sua inserção Internacional. Se internamente, o país aumentava a repressão aos grupos políticos de esquerda, para fora começava uma "correção de rumos" que visava diversificar as parcerias brasileiras no exterior. O Chanceler, Mário Gibson Barboza, assumiu o Itamaraty com a missão de pensar o mundo de forma pragmática e menos dependente dos EUA entre os anos de 1969-1974. A "diplomacia do interesse nacional" se apresentou no conjuntos de diretrizes a seguir:

"‑ correção de rumo em nossas relações com os Estados Unidos, para colocá‑las em bases mais compatíveis com a realidade e na conformidade dos nossos interesses, o que nos permitiria, então, identificar e expandir essas relações em bases mais sólidas e permanentes;
‑relacionamento o mais estreito possível com os países em desenvolvimento, com atenção prioritária para a nossa natural esfera de ação que é a América Latina, e abrindo nesta uma nova fronteira, a América Central, até então nunca sequer visitada por  um Ministro das Relações Exteriores do Brasil;
‑intensificação de nossas relações, em todos os planos, mas nesse caso predominantemente nos campos financeiro e comercial, com os países altamente desenvolvidos, não só individual, mas também coletivamente, como no caso do Mercado Comum Europeu;
‑abertura de uma nova fronteira em nossa política externa, a africana, sobretudo a da África subsaariana e ocidental;
‑eliminação da hipoteca do colonialismo português, preservando, ao mesmo tempo, os vínculos especiais e íntimos que sempre nos uniram a Portugal;
‑intensificação das nossas relações ao mesmo tempo com Israel e os países árabes, em termos de equilíbrio e equidistância. (FUNAG, 2020, p. 281-282)"


Referência Bibliográfica
FUNAG. Na diplomacia o traço todo da vida / Mario Gibson Barboza - 4. ed. rev. - Brasília: FUNAG, 2020.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Pensadores da Diplomacia Brasileira - Parte 9

José Bonifácio

O patriarca da Independência, José Bonifácio, foi um dos grandes pensadores diplomáticos brasileiros. As suas ideias estiveram colocadas no Manifesto as nações amigas, publicado no dia 06 de agosto de 1822, e assinado pelo então Príncipe Regente, D. Pedro. Nesse escrito aparecem os  dois eixos fundamentais nas relações externas da jovem nação, a defesa da soberania nacional e o livre comércio com países amigos. Como diz o trecho do documento:

"A Minha firme Resolução, e a dos Povos que Governo, estão legitimamente promulgadas. Espero pois que os homens sabios e imparciaes de todo o Mundo, e que os Governos e Nações Amigas do Brazil hajam de fazer justiça a tão justos e nobres sentimentos. Eu os Convido a continuarem com o Reino do Brazil as mesmas relações de mutuo interesse e amisade. Estarei prompto a receber os seus Ministros, e Agentes Diplomaticos, e a enviar-lhes os Meus, em quanto durar o captiveiro d'El Rei Meu Augusto Pai. Os portos do Brazil continuarão a estar abertos a todas as Nações pacificas e amigas para o commercio licito que as Leis não prohibem: os Colonos Europeus que para aqui emigrarem poderão contar com a mais justa proteção neste Paiz rico e hospitaleiro. Os Sabios, os Artistas, os Capitalistas, e os Empreendedores encontrarão tambem amizade e acolhimento: E como o Brazil sabe respeitar os direitos dos outros Povos e Governos Legitimos, espera igualmente por justa retribuição, que seus inalienaveis direitos sejam tambem por elles respeitados e reconhecidos, para se não ver, em caso contrario, na dura necessidade de obrar contra os desejos do seu generoso coração." (Manifesto de 6 de agosto de 1822)

Referência
Link: Manifesto de 6 de Agosto de 1822. Brasília: Câmara dos Deputados. In: Coleção de Leis do Império do Brasil - 6/8/1822, Página 132 Vol. 1 (Publicação Original). Brasília: Câmara dos Deputados. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/manife_sn/anterioresa1824/manifestosemnumero-41437-6-agosto-1822-576171-publicacaooriginal-99440-pe.html.

terça-feira, 31 de março de 2020

A Política Externa Brasileira não tem ideologia?

Na última sexta-feira (27), o atual Chanceler, Ernesto Araújo, deu uma entrevista para o Poder 360/ SBT. Dentre as pautas apareceram assuntos como, o Corona Vírus, o relacionamento bilateral com os EUA, a China, a Venezuela, dentre outros.
O destaque da entrevista ficou a partir do minuto 27:00 (ver vídeo abaixo), quando o apresentador abordou o tema da Ideologia na Política Externa. Como vem sendo costumeiro no Brasil desde Temer, o Ministro negou que a estratégia internacional brasileira possua alguma ideologia. E a partir dessa assertiva, cabe a pergunta, existe uma possibilidade de neutralidade na Política Externa?


Se olharmos para a ação prática, essa "não ideologia", predicou pelo progressivo afastamento de parceiros estratégicos do PT, como a Venezuela, a Bolívia, a Nicarágua, etc. E em seu lugar, uma aproximação constante com parcerias ocidentais, como os EUA, a Europa Ocidental, Israel, etc. Então, quando essas gestões, fazem essa opção, elas estão efetivamente cumprindo seu papel ideológico na Política Externa Brasileira, tendo em vista o simples ato de escolher.

Ministro, Ernesto Araújo, respondendo ao Poder 360/SBT.

Entretanto, para além da "Desideologização", o que vem sendo pondo em questão é um movimento mais antigo na Política Externa Brasileira, isto é, um reposicionamento do sentimento anticomunista. Com espaço mais amplo que a Guerra Fria, e também um tanto confuso, existe uma movimentação no sentido de não ser ideológico para combater as esquerdas no mundo. Além do afastamento de países bolivarianos-comunistas, essa questão perpassa pelo sistemático combate das instituições internacionais e o multilateralismo, pondo em dúvida suas capacidades de resolução de problemas mundiais, já que são tendenciosos para agendas de esquerda (gênero, religião, etc.). E qual a diferença desse momento para outros períodos históricos?
Em termos de Política Externa Brasileira, pode-se dizer que esse movimento anticomunista ainda é bem recente e incipiente na atualidade. Isso significa dizer que os meios de ação não foram todos definidos pela curta duração. Bem distinto do período de 1930-1985, quando efetivamente as instituições tomaram para si o Anticomunismo. O Itamaraty, tanto no governo Vargas (1930-1945), com o Serviço de Estudos e Investigações (SEI), quanto no período da Ditadura Civil-Militar (1964-1985), com o Centro de Informações do Exterior (CIEX) atuou com órgãos de coletas de informações e espionagem de inimigos vermelhos. Ademais, o Itamaraty, atuou em coordenação com seus vizinhos, como Uruguai e Argentina, para fazer um intercâmbio de informações contra esses inimigos políticos.
Portanto, desde 2016, esse sentimento anticomunista vem construindo paulatinamente seu espaço na Política Externa Brasileira após anos de esquecimento com o final da Guerra Fria. Ainda incipiente, o movimento vem crescendo em torno do discurso da "Desideologização", com medidas ainda tímidas e algumas vezes veladas contra o inimigo vermelho. Todavia não está plenamente institucionalizado, mas é uma meta de curto/médio/longo prazo dos movimentos políticos que ascenderam ao poder.

domingo, 3 de novembro de 2019

Marcas


Há marcas que passam,
Vão, vem;
Em memórias perdidas,
E histórias não contadas.

O tempo é inesgotável,
Avança, retorna;
Os conflitos aumentam,
As brigas acabam.

É preciso seguir a estrada,
Esquerda, direita;
A dor acabou,
A cicatriz ficou.
Marcas...