Nesse espaço iremos dialogar os mais diversos temas que envolvem a construção da palavra diplomacia. A ciência dos diplomas, segundo o Houaiss, a partir de perspectivas como a História, as Relações Internacionais, a Literatura, dentre outros.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
terça-feira, 27 de outubro de 2015
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
sábado, 18 de julho de 2015
O Edital - Parte 2
A Segunda Fase
O edital do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é item
obrigatório no estudo do candidato. Faz-se necessário conhecer os seus
pormenores em busca de um estudo produtivo, qualificado e otimizado.
Nesta perspectiva, o blog tentará auxiliar nesse campo, fazendo uma
leitura própria das informações colocadas no edital, dividindo-se a
análise em 3 partes: a primeira fase (analisado aqui), a segunda fase e a terceira fase.
Neste segundo texto, será analisado a segunda parte.
A segunda fase é caracterizado por uma prova subjetiva de Língua Portuguesa, de caráter classificatória e eliminatória, composta por 3 questões no valor total de 100 pontos, com duração de 5h. Dentre os tipos de questões específicas, pode-se citar:
- uma redação sobre tema geral, no valor de 60 pontos, com extensão de 600 a 650 palavras
- dois exercícios de interpretação, de análise ou comentários de textos, no valor de 20 pontos cada, com extensão de 120 a 150 palavras
Ao analisarmos o gráfico dado, faz-se uma ressalva em relação aos Exercícios, que são obrigatoriamente dois, mas o seu tipo (interpretação, análise ou comentário) pode variar ficando à escolha da banca de formulação da prova. Além disso, percebe-se a importância de fazer uma boa redação, já que o seu valor representa a nota mínima cobrada para passar à 3ª fase: 60,0 pontos. E se ampliarmos as perspectivas, pode-se afirmar que ao candidato será necessário, também, uma boa prova nos exercícios, se levarmos em consideração que a nota máxima em 2014 ficou em 89,21 pontos. Portanto, para dar competitividade a sua nota, será necessário estar no intervalo entre a nota mínima e máxima, que só pode ser atingido com resultados positivos tanto na Redação, quanto nos Exercícios.
Ademais, o método de avaliação das questões são definidas de forma específica. Por exemplo, a redação da prova escrita de Língua Portuguesa será avaliada segundo os critérios a seguir:
1- A organização do texto e o desenvolvimento do tema valerão 30,00 pontos, sendo:a) 10,00 pontos para apresentação/impressão geral do texto, legibilidade, estilo e coerência;b) 10,00 pontos para capacidade de argumentação (objetividade, sistematização, pertinência das informações);c) 10,00 pontos para capacidade de análise e reflexão.2- A correção gramatical e a propriedade da linguagem valerão 30,00 pontos.
Já em relação aos Exercícios, Eles serão avaliados segundo os critérios a seguir:
a) 10,00 pontos para apresentação e desenvolvimento do tema;b) 10,00 pontos para correção gramatical e a propriedade da linguagem.
Por fim, desde o ano de 2006, os assuntos cobrados na prova não sofreram modificações. Abaixo, pode-se verificá-los:
LÍNGUA PORTUGUESA (Primeira e Segunda Fases):1 Língua portuguesa: modalidade culta usada contemporaneamente no Brasil. 1.1 Sistema gráfico: ortografia, acentuação e pontuação; legibilidade. 1.2 Morfossintaxe. 1.3 Semântica. 1.4 Vocabulário. 2 Leitura e produção de textos. 2.1 Compreensão, interpretação e análise crítica de textos escritos em língua portuguesa. 2.2 Conhecimentos de linguística, literatura e estilística: funções da linguagem; níveis de linguagem; variação linguística; gêneros e estilos textuais; textos literários e não literários; denotação e conotação; figuras de linguagem; estrutura textual. 2.3 Redação de textos dissertativos dotados de fundamentação conceitual e factual, consistência argumentativa, progressão temática e referencial, coerência, objetividade, precisão, clareza, concisão, coesão textual e correção gramatical. 2.3.1 Defeitos de conteúdo: descontextualização, generalização, simplismo, obviedade, paráfrase, cópia, tautologia, contradição. 2.3.2 Vícios de linguagem e estilo: ruptura de registro linguístico, coloquialismo, barbarismo, anacronismo, rebuscamento, redundância e linguagem estereotipada.
Nesse sentido, como meio de preparação para a prova, recomenda-se dois tipos de estratégia: a utilização da bibliografia recomendada e do guia de estudos.
A primeira estratégia esteve no edital do concurso entre 2007 a 2010. Então, sugeria-se a leitura de expoentes da cultura brasileira como Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, Celso Furtado, Carlos Drumond de Andrade, Caio Prado Júnior, Graciliano Ramos, Antônio Candido.
A segunda estratégia é lançada todos os anos junto com edital do concurso. Segundo o objetivo apresentado no Guia de Estudos de 2014:
(...) visa orientar e auxiliar o candidato que pretende ingressar na carreira diplomática por meio do registro de questões abordadas no exame de 2013 acompanhadas de respostas que mereceram avaliação positiva por parte das respectivas Bancas Examinadoras, mantidos os textos originais dos candidatos, com eventuais incorreções e/ou deficiências. (pp.3, Guia de Estudos do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata)Portanto, o candidato tem acesso as melhores redações escritas do ano anterior. Dessa forma, ele poderá exercitar suas redações a partir do tipo de modelo que a Banca Examinadora costuma querer.
* Esse texto está longe de ser um auxílio/guia na preparação do Cacdista, não sendo mais que impressões próprias e pessoais de como abordar a 2ª fase.
Edital de 14 de Fevereiro de 2014 - Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. Brasília: CESPE/UNB, 2014. Acesso em 04.06.2015: http://www.cespe.unb.br/concursos/IRBR_14_DIPLOMACIA/arquivos/ED__1_IRBR_DIPLOMATA_2014.PDF
Guia de Estudos do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. Brasília: CESPE/UNB, 2014.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
O Edital - Parte 1
A Primeira Fase
O edital do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é item obrigatório no estudo do candidato. Faz-se necessário conhecer os seus pormenores em busca de um estudo produtivo, qualificado e otimizado. Nesta perspectiva, o blog tentará auxiliar nesse campo, fazendo uma leitura própria das informações colocadas no edital, dividindo-se a análise em 3 partes: a primeira fase, a segunda fase e a terceira fase. Neste primeiro texto, será analisado a primeira parte.
A primeira fase é caracterizada por uma prova objetiva de 73 questões, no qual cada questão possui 4 itens que você deve julgar se é Certo ou Errado, totalizando 292 itens. Se acertar recebe 0,25 pontos; Se errar -,025 pontos; e se deixar em branco 0,0 pontos, a somatória dos itens chama-se nota final da prova objetiva (NFPO), num total de 73,0 pontos. Ao longo de dois dias, no primeiro com 2:30h e no segundo com 3:30h, o candidato deve analisar 9 disciplinas, tais como: Língua Portuguesa, História do Brasil, História Mundial, Política Internacional. Geografia, Língua Inglesa, Noções de Economia e Noções de Direito e Direito Internacional Público.
No Gráfico abaixo, colocou-se as disciplinas que tem o maior número de questões e itens, sendo elas em ordem decrescente: Português, Inglês, Política Internacional e História Mundial.
Dessa forma, descobre-se que essas quatro disciplinas são equivalentes a 50 questões das 73 cobradas. Ao dissecarmos qualitativamente, descobre-se que 50 questões englobam 200 dos 292 itens possíveis, e o NFPO máximo seria de 50,0.
Ademais, pode-se frisar que esses valores são superiores a duas coisas: primeiro, a nota mínima exigida para não ser eliminado que é 29,25, ou em específico, 118 itens ao longo de 29 questões completas e mais um item qualquer; segundo, a nota do ponto de corte para passar à 2ª fase em 2014 que é 46,5, ou em específico, 186 itens ao longo de 46 questões completas e mais dois itens quaisquer. Logo, pode-se dizer que acertar o maior número de questões nessas 4 disciplinas possibilita ao candidato estar mais próximo da 2ª fase.
Finalmente, as outras disciplinas não podem ser relegadas a um segundo plano, porque seria uma estratégia perigosa. No gráfico a seguir, verificamos a quantidade das questões e dos itens nas 5 últimas disciplinas, de forma decrescente: História do Brasil, Geografia, Noções de Economia, Noções de Direito e Direito Internacional.
Então você está me falando para estudar tudo? Não, não estou. Até porque a nota máxima em 2014 foi 52,50 NFPO ou 210 itens ao longo de 52 questões completamente certas e mais dois itens certos quaisquer, ficando distante dos 73,0 NFPO ou 292 itens no caso de acerto total das 73 questões. O que é importante ao candidato é ter uma espécie de seguro, ou colchão de pontos, nas últimas 5 disciplinas para compensar um rendimento menor nas outras 4. Uma hipótese é utilizar a formação de origem como mecanismo de vantagem comparativa no estudo, por exemplo, uma pessoa que é economista, poderá estudar essa disciplina em menos horas, e assim dará espaço durante a sua preparação para focar nas 4 disciplinas com o maior número de questões/itens/NPFO da 1ª fase.
* Esse texto está longe de ser um auxílio/guia na preparação do Cacdista, não sendo mais que impressões próprias e pessoais de como abordar a 1ª fase.
Referências Bibliográficas:
Edital de 14 de Fevereiro de 2014 - Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. Brasília: CESPE/UNB, 2014. Acesso em 25.05.2015: http://www.cespe.unb.br/concursos/IRBR_14_DIPLOMACIA/arquivos/ED__1_IRBR_DIPLOMATA_2014.PDF
domingo, 19 de outubro de 2014
Brasil - Alemanha: Uma parceria estratégica (e nem tão fria...)
![]() |
| Angela Merkel e Dilma Roussef, retratam o dialogo continuo e profícuo entre Brasil e Alemanha |
O Discurso proferido pelo Embaixador Eduardo dos Santos, ao meu ver, é uma síntese da relação bilateral Brasil-Alemanha, perpassando pontos históricos e atuais dos temas mais presentes. Ademais, abaixo deixo os órgãos oficias e seus pensamentos sobre essa relação.
P.S: Fichem tudo!
Intervenção do Senhor
Secretário-Geral das Relações Exteriores, Embaixador Eduardo dos Santos, no
Encontro Brasil-Alemanha 2014: Visões e
Revisões
Foi com grande satisfação que aceitei o convite do
Embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa para abrir este Encontro Brasil-Alemanha 2014, e o fiz por dois motivos. Em
primeiro lugar, por tratar-se de convite do Embaixador Seixas Corrêa, meu
antecessor na Secretaria-Geral das Relações Exteriores e um dos diplomatas
brasileiros mais destacados, há quase meio século servindo ao Brasil com seu
saber, sua inteligência e seu espírito público. E, em segundo lugar, por
vivermos momento de particular dinamismo nas relações entre Brasil e Alemanha.
Esse bom momento das relações bilaterais ficou mais
uma vez evidenciado no último dia 21 de março, quando o Ministro Luiz Alberto
Figueiredo Machado realizou sua primeira visita de trabalho a Berlim. Na
ocasião, o Ministro Figueiredo e o Ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, tiveram a
oportunidade de repassar a amplíssima agenda bilateral em todos os seus
quadrantes – econômico, político, educacional, cultural, ambiental, energético,
etc. – além de explorar novas possibilidades de cooperação em áreas como defesa
e segurança cibernética, aprofundando a Parceria Estratégica que une os dois
países.
A relação bilateral que temos hoje tem suas origens
nos laços antigos e densos que Brasil e Alemanha construíram ao longo do tempo. Foi
significativa a projeção que o mundo alemão teve entre nós desde que, com a
Independência, passamos a ter no trono brasileiro uma Imperatriz Habsburgo, Dona
Maria Leopoldina de Áustria. É notável o fato de que, com ela, chegada ao Brasil
em fins de 1817, veio uma plêiade de cientistas, entre os quais os naturalistas
von Spix e von Martius, cuja expedição épica pelos sertões teve o mérito de
despertar nos círculos intelectuais alemães grande interesse pelo Brasil.
Permito-me destacar, ainda, que não foi menor o
papel desempenhado por militares alemães, arregimentados pelo Major Anton von
Schaeffer, na formação do Exército brasileiro. Dois deles, tenentes engenheiros
Halfeld e Koeler, foram fundadores de Juiz de Fora e Petrópolis.
Recordo que as primeiras famílias de língua alemã
vieram estabelecer-se no Brasil antes mesmo da Independência: primeiro, os
colonos suíços, que fundaram Nova Friburgo, em 1818; depois, famílias
propriamente alemãs, que se estabelecem em Ilhéus e São Jorge, na Bahia, ainda
no reinado de Dom João VI. Em 1824, com a promulgação da primeira Constituição
brasileira, foram eliminados os óbices legais à imigração de pessoas que
professassem outra fé que não a católica romana. A nova Carta abriu as portas
para a imigração de colonos da Alemanha
setentrional, que se concentraram, sobretudo, na província de São Pedro do Rio
Grande do Sul. Estima-se que, hoje, quase 10 milhões de brasileiros tenham
ascendência alemã.
Foi inestimável a contribuição desses primeiros
alemães e de seus descendentes ao desenvolvimento do Brasil. Pelos conhecimentos
que traziam consigo, pelo engenho que lhes era inato, exerceram papel
fundamental na diversificação de nossa agricultura — de que é exemplo a
introdução do cultivo do trigo —, bem como nos processos de urbanização e
industrialização do Brasil. Se a instalação da siderúrgica Mannesmann (1954) e a
inauguração da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (1959) constituem,
por um lado, marcos essenciais de desenvolvimento industrial brasileiro,
constituem também, por outro, capítulo central da reinserção internacional da
indústria alemã no pós-guerra.
Parece-me natural que, em virtude dos laços humanos
e econômicos criados pela via da imigração e dos investimentos, Brasil e Alemanha estivessem destinados à construção
de uma parceria estreita entre si. Dois grandes marcos desse processo ocorreram
ao longo da década de 70, com a então Alemanha Ocidental já plenamente reconstruída
e o Brasil vivendo o chamado "Milagre Econômico".
Em primeiro lugar, Brasil e Alemanha desejavam criar mecanismos para
gerir os muitos interesses convergentes e fazer frente às demandas decorrentes
da presença do capital alemão no Brasil. Fizeram-no com a criação da Comissão
Mista Brasil-Alemanha, em 1974, pela
qual o empresariado dos dois países pôde apresentar suas percepções e pleitos
diretamente a seus governos, os quais passaram a trabalhar coordenadamente para
estabelecer um ambiente de negócios cada vez mais favorável.
Em segundo lugar, também em meados dos anos 70, o
Brasil buscou na Alemanha o parceiro de
que necessitava para um projeto verdadeiramente estratégico, qual seja a
exploração pacífica da energia nuclear. Parcerias sólidas entre instituições de
pesquisa científica e tecnológica e entre empresas dos dois países nasceram com
o Acordo Nuclear de 1975.
Aos dois marcos referidos, agregaria um terceiro
marco, que se revelou elemento potencializador da relação bilateral a partir de
então. Refiro-me à criação do G4, em setembro de 2004, instância promotora do
pleito de Brasil, Alemanha, Japão e
Índia por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A
criação do G4 dá-se em momento de auspiciosa convergência entre Brasil e Alemanha no campo da política exterior. Ao
mesmo tempo em que o Brasil, com a economia em ordem, retoma uma política
externa mais ativa e autônoma, também a Alemanha modifica a política exterior
relativamente discreta que praticou desde a Segunda Guerra Mundial.
Este é, em linhas gerais, o alicerce sobre o qual se
desenvolvem hoje as relações entre o Brasil e a Alemanha. Esse relacionamento singulariza-se
por três características principais: (1) nossas relações econômicas são marcadas
por diversidade e vigor excepcionais; (2) nosso diálogo político sobre temas de
interesse mútuo e sobre os grandes assuntos da governança, paz, segurança e
prosperidade globais é intenso e maduro; (3) nossa cooperação nos campos
científico, tecnológico, educacional e cultural é significativa.
O reconhecimento, por ambos os países, da
importância, variedade e intensidade de nossas relações bilaterais
consubstanciou-se, em 2002, na sua elevação ao grau de Parceria Estratégica.
No plano político, nossas relações bilaterais são
marcadas por ampla convergência de percepções, valores e interesses, o que tem
permitido atuação conjunta em diversas questões globais, como o combate à fome,
a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a defesa do direito à
privacidade na era digital.
Tal convergência reflete-se na elevada frequência de
encontros de alto nível entre os mandatários do Brasil e da Alemanha nas últimas décadas. Recordo que a
primeira visita realizada pelo Chanceler Federal da Alemanha a um país não europeu depois da
reunificação, em 1991, teve o Brasil como destino. Desde aquela visita do então
Chanceler Kohl, os contatos entre o Presidente do Brasil e o Chanceler Federal
ou o Presidente da Alemanha têm-se
dado, praticamente, em bases anuais — seja no Brasil, seja na Alemanha, seja à margem de encontros
multilaterais.
A Presidenta Dilma Rousseff e a Chanceler Angela
Merkel mantiveram, nos últimos três anos, quatro encontros bilaterais. Há a
perspectiva de uma visita oficial da Chanceler alemã em meados do ano, e de
elevação do diálogo bilateral ao status de Consultas Políticas de Alto
Nível.
No plano econômico, recordemos que nossas trocas
comerciais mais do que triplicaram ao longo da década passada, sendo a Alemanha, hoje, o quarto maior parceiro
comercial do Brasil (depois da China, dos EUA e da Argentina) e nosso maior
parceiro na União Europeia. Também é verdade, no entanto, que as cifras
recentes, de 2012 para cá, registram uma perda de dinamismo em nossas trocas,
que precisamos saber superar com alternativas inovadoras. Voltarei a este tema
mais adiante.
É preciso que se diga que as relações econômicas
Brasil-Alemanha vão muito além do
comércio. As cerca de 1.600 empresas alemãs presentes, hoje, no Brasil,
respondem por cerca de 8 a 10% do PIB industrial brasileiro. Somente no Estado
de São Paulo, são mais de 800 empresas, que geram aproximadamente 250 mil
empregos diretos. Pela eloquência desses números, faz sentido afirmar que São
Paulo é a maior cidade industrial alemã fora da Alemanha.
Esse relacionamento intenso, no âmbito econômico,
beneficia-se de um arcabouço institucional há muito consolidado. A Comissão
Mista Brasil-Alemanha de Cooperação
Econômica existe desde 1974, reunindo-se todos os anos, alternadamente, em um e
outro país. Normalmente, cabe ao Secretário-Geral do Itamaraty e ao Presidente
da Confederação Nacional da Indústria (CNI) chefiarem a delegação brasileira, ao
passo que a delegação alemã é chefiada pelo Vice-Ministro da Economia e pelo
Presidente da Federação das Indústrias Alemãs. Em 2013, tive a grande satisfação
de presidir, em São Paulo, a quadragésima edição da reunião da Comissão.
O segundo foro de cooperação econômica é o Encontro
Econômico Brasil-Alemanha, que reúne,
anualmente, expoentes do setor privado dos dois países. Os Encontros, com
duração de dois ou três dias, reúnem, em média, 600 participantes. A edição de
2013 contou com a presença da Presidenta Dilma Rousseff e do Presidente Federal
Joachim Gauck.
Há pouco mencionei o menor dinamismo de nossas
trocas a partir de 2012. O Governo brasileiro tem a percepção de que uma maior
participação de pequenas e médias empresas nas relações econômicas bilaterais
contribuiria não apenas para aumentar as cifras de comércio e investimento, mas
também para diversificar as exportações brasileiras para a Alemanha e intensificar a transferência de
tecnologia alemã ao Brasil. As vendas brasileiras estão limitadas a número
relativamente pequeno de grandes firmas, ao passo que, no sentido inverso, as
exportações alemãs englobam grande número de empresas, muitas das quais médias e
pequenas, que produzem bens de alto valor agregado. Nesse contexto, é
fundamental estreitar os laços entre as pequenas e médias empresas brasileiras e
alemãs por meio da criação de joint ventures e iniciativas conjuntas de
pesquisa.
Tais joint ventures devem ser construídas em torno
de projetos orientados para a inovação e que envolvam articulação com parques
tecnológicos do Brasil. A cooperação no âmbito das pequenas e médias empresas
brasileiras e alemãs deve conjugar a parceria empresarial com os recursos de
pesquisa e desenvolvimento dos dois países. Isso requer, sem dúvida, visão e
investimento por parte da iniciativa privada, mas demanda, igualmente, o empenho
e o apoio dos governos e das suas instituições.
Devemos ser ambiciosos. Nossa cooperação bilateral
em pequenas e médias empresas deve contemplar setores de ponta, como a
biotecnologia, a indústria aeroespacial, a nanotecnologia, as tecnologias
ambientais e a microeletrônica, entre outros. O motor flex-fuel, que foi
desenvolvido no Brasil por subsidiárias da Volkswagen e da Bosch, é um bom
exemplo do patamar de cooperação a que devemos almejar.
Gostaria, igualmente, de salientar o avanço, nos
últimos anos, da cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação — um
esforço antigo e bem sucedido: celebramos, este ano, 45 anos da assinatura do
primeiro Acordo Geral de Cooperação sobre Ciência e Tecnologia. Ao longo dos
anos, a cooperação estabelecida nessa área tem dedicado a ênfase necessária à
formação e intercâmbio de pesquisadores. A realização do Ano Brasil-Alemanha de Ciência, Tecnologia e Inovação,
em 2010/2011, bem como a visita da Presidenta Dilma Rousseff à Alemanha, em 2012, no contexto da feira
tecnológica CeBIT — a maior feira mundial no setor de tecnologias da informação,
que em 2012 teve o Brasil como país-tema —, ofereceram oportunidade singular
para a atualização da agenda científica e tecnológica entre nossos países.
No tocante ao Ano Brasil-Alemanha de Ciência, Tecnologia e inovação,
ressalto, como seguimento particularmente importante, o acordo celebrado entre o
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e a Sociedade Fraunhofer, em
junho de 2012. A Sociedade Fraunhofer é a maior organização de pesquisa aplicada
da Europa e exemplo de instituição de excelência na promoção da pesquisa e da
inovação.
O acordo entre o SENAI e a Fraunhofer permitiu a
criação, no Brasil, dos Institutos SENAI de Inovação, que proverão soluções
tecnológicas e de gestão a empresas interessadas em agregar conhecimento a suas
linhas de produção. Trata-se, portanto, de valioso instrumento para o
aprimoramento da competitividade das empresas de nosso País.
Ainda na área de inovação, temos conseguido bons
resultados ao fomentar parcerias com foco na pesquisa aplicada. A cooperação
entre a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) e a
Sociedade Fraunhofer é exemplo de êxito nesse sentido – mas podemos avançar
ainda mais, com a intensificação da colaboração entre Governos, institutos de
pesquisa e setor privado visando a unir pesquisa, inovação e produção.
No campo educacional, temos alcançado avanços dignos
de nota em nossa cooperação. O Programa Ciência sem Fronteiras tem na Alemanha um de seus parceiros mais
importantes. Universidades alemãs já receberam mais de 4 mil alunos brasileiros
sob os auspícios desse programa. Os estudantes brasileiros na Alemanha, além da experiência propriamente
acadêmica, também aprimoram sua formação por meio de estágios em empresas
alemãs. Estou seguro de que esse esforço será proveitoso não só para a sociedade
brasileira, mas para o próprio relacionamento bilateral, na medida em que esses
alunos tornam-se agentes disseminadores da cultura alemã e, ao mesmo tempo,
capacitam-se para trabalhar nas mesmas empresas que constituem a espinha dorsal
de nossa parceria.
A cooperação em energia constitui outro eixo
importante das relações bilaterais entre o Brasil e a Alemanha. Os dois países ocupam posição de
liderança no desenvolvimento de tecnologias no âmbito das energias renováveis e
atribuem grande importância à dimensão da sustentabilidade na implementação de
suas políticas energéticas. Vejo como especialmente promissora a intensificação
da cooperação bilateral nos campos da energia solar e da energia eólica, pelos
investimentos já feitos por empresas alemãs neste campo e pelas condições únicas
— climáticas, mas também pelo potencial ainda inexplorado de seu mercado — que o
Brasil oferece para o desenvolvimento do setor.
Quero ressaltar, ainda, a cooperação na área
cultural. Sabemos do vivo e crescente interesse do público alemão pela cultura
brasileira. Sublinho, particularmente, a participação do Brasil na última Feira
do Livro de Frankfurt, maior encontro mundial do setor editorial. O Brasil foi,
em 2013, pela segunda vez, país-tema da feira. Foram quase 300 mil visitantes,
que tiveram a oportunidade de travar contato com as obras de nomes expressivos
de nossa literatura.
Refiro-me, por último, ao diálogo político. Há
vários níveis de convergência entre o Brasil e a Alemanha sobre os grandes temas da agenda
internacional. Essa convergência manifesta-se, sobretudo, nas posições comuns
sobre temas como reforma do Conselho de Segurança da ONU, meio ambiente e
direitos humanos.
Recentemente, tivemos uma ilustração das
potencialidades desse diálogo com a aprovação, por unanimidade, na Assembleia
Geral das Nações Unidas, do projeto de resolução teuto-brasileiro sobre a defesa
do direito à privacidade na era digital. Recorde-se que as recentes revelações
sobre o uso indiscriminado do monitoramento de informações afetaram de maneira
muito particular Brasil e Alemanha. A
aprovação da resolução por unanimidade demonstrou de forma eloqüente a
capacidade que têm os dois países, juntos — pelos valores que professam, pela
credibilidade diplomática de que souberam dotar-se, ao longo das décadas —, de
arregimentar apoios entre os interlocutores mais diversos, na defesa de valores
universais.
Em essência, por tudo o que acabo de expor — pelo
patrimônio construído ao longo dos anos, pelos laços humanos e materiais que nos
unem à Alemanha, pela excelência de
nosso diálogo político e pela variedade e profundidade de nossa cooperação —,
torna-se inescapável a conclusão de que a Alemanha é, hoje, um dos parceiros centrais
do Brasil em sua política exterior. Trabalhamos nesse sentido na convicção de
que os progressos alcançados pelo Brasil, as dimensões de seu mercado, o
dinamismo de sua economia e seu crescente peso internacional o tornam,
igualmente, um sócio privilegiado aos olhos alemães.
Os Governos de Brasil e Alemanha querem intensificar ainda mais esse
diálogo e essa cooperação por meio do engajamento das próprias Chefas de Governo
em consultas políticas regulares, de que participará número expressivo de
Ministros dos dois lados. Esperamos, por esse mecanismo, promover novas avenidas
de cooperação em domínios estratégicos, como energia ou produtos de defesa,
ciência e tecnologia e cibersegurança, e aprofundar o diálogo sobre as grandes
questões relacionadas à paz, segurança e prosperidade globais. Estamos certos,
no Itamaraty, de que esse mecanismo contribuirá para solidificar o lugar das
relações Brasil-Alemanha nas políticas
exteriores dos dois países. É esta, em essência, a aposta que fazem a Presidenta
Dilma Rousseff e a Chanceler Angela Merkel ao comprometerem-se formalmente a
manter esse diálogo periódico. Estou certo de que, no futuro, a parceria
Brasil-Alemanha será cada vez mais
importante e estratégica para a própria projeção internacional de nossos
países.
Obrigado.
1) Relações Bilaterais
1.1) Relações bilaterais na perspectiva brasileira
Visitas em 2014:
2) Política Externa alemã:
P.s²: Leiam o Kissinger, em "Diplomacia", para entender a origem e o fundamento da Realpolitik.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Banca Cacd 2014: 2ª e 3ª fases
SECRETARIA-GERAL DAS RELAÇÕES EXTERIORES
O DIRETOR-GERAL DO INSTITUTO RIO BRANCO, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 34 do Regulamento do Instituto Rio Branco, aprovado pela Portaria nº 179, de 14 de março de 2014, publicada no Diário Oficial da União de 17 de março de 2014, resolve: Designar as Bancas Examinadoras das provas das Segunda e Terceira Fases do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2014:
PORTUGUÊS
Luís Felipe Silvério Fortuna
Augusto Souto Pestana
Emília Manuela da Rocha Rodrigues
HISTÓRIA DO BRASIL
Francisco Fernando Monteoliva Doratioto
Antonio Carlos Lessa
José Flávio Sombra Saraiva
INGLÊS
João Pedro Corrêa Costa
Ofal Fialho
GEOGRAFIA
POLÍTICA INTERNACIONAL
Tarcisio de Lima Ferreira Fernandes Costa Lista de Teses Altos Estudos IRBr- nº 485
ECONOMIA
Rodrigo de Azeredo Santos Livro
DIREITO
ESPANHOL
Pedro Delgado Hernandez
FRANCÊS
Isabelle Fermier Gonçalves de Souza
Helena Gama Dias
GONÇALO DE BARROS CARVALHO E MELLO MOURÃO
Diretor-Geral
Link:Diário Oficial da União, Nº 117, 23 de Junho de 2014
Link:Diário Oficial da União, Nº 117, 23 de Junho de 2014
domingo, 23 de março de 2014
Vivre la évolution?
O Edital CACD-14 veio com uma novidade para a prova de Francês, como sublinhou, o amigo e companheiro de Grupo de Estudos Leonardo Teixeira, a prova passou para 3ª fase com um novo sistemas de pontos, e ademais deu ênfase em "(...) questões de cultura francófona (...)".
A partir disso, proponho algumas reflexões sobre a relação franco-brasileira apresentado 3 visões sobre isso: o contexto histórico geral; a relação Sino-francesa na Guerra Fria e por fim, a visita mais recente do Chanceler, Alberto Figueiredo, ao país da Revolução.
Primeiro, no edital de Política Internacional, tem-se sublinhado, "7. A Política externa francesa e relações com Brasil", a partir disso proponho um pequeno fichamento que vem do blog parceiro de Patrícia Galves Derolle.
1) Relações Brasil-França, numa perspectiva histórico
-> A partir de 1990, houve um esforço para ativar as relações entre os dois
->1996, houve uma série de visitas e contatos de alto nível e importantes tentativas de incentivo a investimentos no Brasil
>>Indústria e serviços foram os mais beneficiados no país
-> Campo comercial as relações não avançaram. A PAC, que a França defende, travou as negociações porque é obstáculo para as exportações brasileiras.
-> Embaixador, Marcos Azambuja: França é o maior capital político do Brasil na Europa, que ecoa os pleitos brasileiros no cenário internacional.
Dados e estatísticas
Cooperação em áreas sensíveis
-> Desenvolvimento binacional de submarinos (convencionais e nuclerares)
-> Caças
Relações econômicas
->Renault
-> PSA (indústria automotiva francesa que constrói as duas linhas a seguir): Citroen e Peugeot
-> Casino
Transportes
->Alstorm: grupo industrial francês que atua na área de infraestrutura de energia e transporte: a)indústria de materiais ferroviários e produção de energia
Posições comuns
-> Programas de combate à pobreza
>>Taxa Toben: criação de taxa de transações comerciais, cuja arrecadação seria dedicada ao combate à pobreza e à malária
Cultura:
>>>Mais bolsistas universitários para a França (1 a cada 4 estudantes, da CAPES)
>>> Ano do Brasil na França (2005) e da França no Brasil (2009)
Comércio: 10 bilhões de dólares
2)O Comercial da Guerra Fria sem tradução francesa
Com a apresentação geral das relações bilaterais, aparece algo que me chamou atenção para a prova da 3ª fase: como sanar a questão da cultura francesa? O Canal do Ministère des Affaires Étrangères apresenta uma sessão sobre cultura, onde a instituição, como voz do Estado francês no exterior, tem a bagagem necessária para dialogar sobre a cultura do país. Lembrando que não é a única voz, mas para uma prova formal que envolve um cargo com interesse direto entre Estados, parece ser a mais legítima.
Hobsbawn diz que a Guerra Fria foi um movimento desde os EUA, que soube divulgar e criar uma "cultura" da bipolaridade, porque não, do pânico perante a sociedade estadunidense. Segundo o historiador inglês, sem essa ação, provavelmente a Guerra Fria não teria existido, porque não haveria uma avaliação positiva da sociedade pública americana perante uma disputa com a URSS, já que quebrava a velha tradição diplomática isolacionista do país. Dito isto, é comum na historiografia tradicional a noção de que os aliados ocidentais americanos eram alinhados fiéis. Nada mais perigoso que a generalização: O Estado francês comemora em 2014, 50 anos do estabelecimento das relações diplomáticas com a China, sendo oficialmente o ano francês naquele país.
Em meados dos anos de 1960, a estratégia francesa para a política exterior, segundo De Gaulle, era ter uma visão independente do foco bipolar, pois a França como país da Revolução- da Liberdade, Igualdade e Fraternidade- deveria respeitar sua tradição e avaliar positivamente a Revolução Chinesa, Liderada por Mao Tzé-tung. Contraditoriamente a noção de alinhamento irrestrito, os franceses faziam um adiantamento nas estrátegias e alianças de poder do mundo bipolar. Enquanto os EUA ainda olhavam para o movimento de detenção, os galos estvam mais preocupados em afirmar posição próripa e autônoma. Dez anos depois, os EUA iriam estabelecer relações com o país vermelho, nos anos de 1970, na conhecida "Diplomacia do Ping-Pong", ou a reação estadunidense à Deténte. Por isso, assistam o vídeo e tenham cuidado com as generalizações, lembrem-se: A Guerra Fria era um "comercial" estadunidense como diria Hobsbawn, onde nem todo mundo estava disposto a ligar a tv, ou no caso francês, la télé.
3) Relações atuais
Para finalizar, semana passada tivemos a visita do Ministro, Alberto Figueiredo ao seu homólogo Laurent Fabius. Ali se discutiu algumas coisas, tais como:
a)projetos de cooperação bilateral, nas áreas de defesa, ciência, tecnologia, e inovação e educação.
b)temas de fluxos bilaterias de comércio e investimentos, e temas globais
c)comércio bilateral: 2013, 9,89 bilhões de dólares, com 3,39 bilhões em exportações e 6,50 bilhões em importação
c) França oitavo maior investidor no Brasil, com fluxo de 1,4 bilhões de dólares
d)investimentos: participação total no campo de Libra e a participação da GDF SUEZ na exploração de gás; construção do reator da usina de Angra 3 pela francesa Areva
-> A partir de 1990, houve um esforço para ativar as relações entre os dois
->1996, houve uma série de visitas e contatos de alto nível e importantes tentativas de incentivo a investimentos no Brasil
>>Indústria e serviços foram os mais beneficiados no país
-> Campo comercial as relações não avançaram. A PAC, que a França defende, travou as negociações porque é obstáculo para as exportações brasileiras.
-> Embaixador, Marcos Azambuja: França é o maior capital político do Brasil na Europa, que ecoa os pleitos brasileiros no cenário internacional.
Dados e estatísticas
Cooperação em áreas sensíveis
-> Desenvolvimento binacional de submarinos (convencionais e nuclerares)
-> Caças
Relações econômicas
->Renault
-> PSA (indústria automotiva francesa que constrói as duas linhas a seguir): Citroen e Peugeot
-> Casino
Transportes
->Alstorm: grupo industrial francês que atua na área de infraestrutura de energia e transporte: a)indústria de materiais ferroviários e produção de energia
Posições comuns
-> Programas de combate à pobreza
>>Taxa Toben: criação de taxa de transações comerciais, cuja arrecadação seria dedicada ao combate à pobreza e à malária
Cultura:
>>>Mais bolsistas universitários para a França (1 a cada 4 estudantes, da CAPES)
>>> Ano do Brasil na França (2005) e da França no Brasil (2009)
Comércio: 10 bilhões de dólares
2)O Comercial da Guerra Fria sem tradução francesa
Com a apresentação geral das relações bilaterais, aparece algo que me chamou atenção para a prova da 3ª fase: como sanar a questão da cultura francesa? O Canal do Ministère des Affaires Étrangères apresenta uma sessão sobre cultura, onde a instituição, como voz do Estado francês no exterior, tem a bagagem necessária para dialogar sobre a cultura do país. Lembrando que não é a única voz, mas para uma prova formal que envolve um cargo com interesse direto entre Estados, parece ser a mais legítima.
Hobsbawn diz que a Guerra Fria foi um movimento desde os EUA, que soube divulgar e criar uma "cultura" da bipolaridade, porque não, do pânico perante a sociedade estadunidense. Segundo o historiador inglês, sem essa ação, provavelmente a Guerra Fria não teria existido, porque não haveria uma avaliação positiva da sociedade pública americana perante uma disputa com a URSS, já que quebrava a velha tradição diplomática isolacionista do país. Dito isto, é comum na historiografia tradicional a noção de que os aliados ocidentais americanos eram alinhados fiéis. Nada mais perigoso que a generalização: O Estado francês comemora em 2014, 50 anos do estabelecimento das relações diplomáticas com a China, sendo oficialmente o ano francês naquele país.
Em meados dos anos de 1960, a estratégia francesa para a política exterior, segundo De Gaulle, era ter uma visão independente do foco bipolar, pois a França como país da Revolução- da Liberdade, Igualdade e Fraternidade- deveria respeitar sua tradição e avaliar positivamente a Revolução Chinesa, Liderada por Mao Tzé-tung. Contraditoriamente a noção de alinhamento irrestrito, os franceses faziam um adiantamento nas estrátegias e alianças de poder do mundo bipolar. Enquanto os EUA ainda olhavam para o movimento de detenção, os galos estvam mais preocupados em afirmar posição próripa e autônoma. Dez anos depois, os EUA iriam estabelecer relações com o país vermelho, nos anos de 1970, na conhecida "Diplomacia do Ping-Pong", ou a reação estadunidense à Deténte. Por isso, assistam o vídeo e tenham cuidado com as generalizações, lembrem-se: A Guerra Fria era um "comercial" estadunidense como diria Hobsbawn, onde nem todo mundo estava disposto a ligar a tv, ou no caso francês, la télé.
3) Relações atuais
Para finalizar, semana passada tivemos a visita do Ministro, Alberto Figueiredo ao seu homólogo Laurent Fabius. Ali se discutiu algumas coisas, tais como:
a)projetos de cooperação bilateral, nas áreas de defesa, ciência, tecnologia, e inovação e educação.
b)temas de fluxos bilaterias de comércio e investimentos, e temas globais
c)comércio bilateral: 2013, 9,89 bilhões de dólares, com 3,39 bilhões em exportações e 6,50 bilhões em importação
c) França oitavo maior investidor no Brasil, com fluxo de 1,4 bilhões de dólares
d)investimentos: participação total no campo de Libra e a participação da GDF SUEZ na exploração de gás; construção do reator da usina de Angra 3 pela francesa Areva
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